terça-feira, 15 de julho de 2008

Vaso

Acho que existe um vaso imenso,
numa localidade inóspita,
onde dormem todos os sonhos.

Talvez ele habite um vulcão – a matéria borbulha,
de borbulhar os sonhos vão saltando aleatoriamente.
Não sei se nossas cabeças, como antenas,
dão de vagar por aí em microondas noturnas captando sonhos
quaisquer ou
os saltos já não são, como pensava, tão aleatórios assim.
Às vezes penso que possam ser as cadentes, os óvnis - Supersaltos.

É que esta noite me chegou um sonho em época errada,
um sonho velho, afogado.

Fosse o sonho nada mais que uma presa
dessa enorme rede radioativa,
peixe mais novo minha antena rendia,
não a esse fóssil flutuante.

Fosse o sonho um salto com alvo predestinado, uma flecha
da 6ª guardiã das substâncias do vaso,
teria caído em minha cabeça um sonho embebido em lágrima
– num inverno remoto – tempo que já não sinto.

Suspeito que este sonho caiu no mar.
Foi desses supersaltados que o vento leva
até chover de volta ao vaso;
Ou este sonho é meu, corrente em meu vaso,
um sonho vermelho, renitente, um sonho em brasa,
tardiamente
me fez acordar em lavas.